Cinemateca retoma as atividades para reabertura

Após um longo período de portas fechadas, a Cinemateca Brasileira (CB), enfim, tem no horizonte sua reabertura. Desde abril de 2020, o corpo técnico da Cinemateca estava sem receber os salários por conta da suspensão dos repasses do Governo Federal à Associação de Comunicação Educativa Roquete Pinto, então gestora da CB. Em agosto o corpo técnico foi inteiramente desmobilizado, quando foram “entregues as chaves” para a União, gerando uma das maiores crises da história da Cinemateca. O risco altíssimo de perdas e danos ao valioso acervo audiovisual nacional e o maior da América do Sul, se concretizou com o incêndio no dia 29 de Julho de 2020 na unidade da Cinemateca da Vila Leopoldina.

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A proximidade, o afeto, e o reconhecimento da importância desse patrimônio pelos moradores, guiou o engajamento em sua defesa, acrescentando uma camada de mobilização aos tradicionais defensores do acervo da instituição, inclusive perante o juízo. A consciência de que a ausência contínua de profissionais especializados, a leniência do governo federal em criar diretrizes reais de conservação, traria prejuízos irreparáveis, fez a AVM somar junto aos coletivos do bairro apoiando os setores de trabalhadores, pesquisadores, cinéfilos e entidades da área do audiovisual paulista. Para ser efetiva em seu posicionamento, através de seus advogados “pro bono”, tornou-se assistente na Ação Civil Pública movida pelo MPF (Ministério Público Federal) colaborando para defender o patrimônio do bairro e o acervo nacional.

Recebemos com muita satisfação e alento a notícia que o plano emergencial de trabalho oferecido há mais de um ano pela SAC - Sociedade Amigos da Cinemateca ao Governo Federal, finalmente se concretiza. Ontem, quinta-feira, 18 de novembro, retomou parcialmente as atividades com um contrato de duração de três meses, com a Secretaria Nacional do Audiovisual do Ministério do Turismo, que permitirá o retorno de parte da equipe de colaboradores da Cinemateca.

Sabemos que há muito por fazer em termos de primeiros cuidados, de reconhecimento de possíveis danos ao acervo, catalogação, limpeza, manutenção, até que as condições mínimas adequadas permita a volta do público ao parque, ao cinema ao ar livre, às salas de exibição, às consultas, ao café - tão aguardada pelos moradores da Vila Mariana.

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Saudamos a todos que compartilharam seus esforços nessa luta pelo bem público do patrimônio de nossa memória! Que o plano de trabalho emergencial da SAC seja a transição para recomposição do Conselho Consultivo fortalecido pela sociedade, e um contrato futuro de maior estabilidade através do edital da Secretaria do Audiovisual com duração de cinco anos, permita a Sociedade Amigos da Cinemateca, promover o planejamento e ações para a guarda e difusão do acervo à altura do seu tamanho e importância. Certamente há grandes desafios a vencer mas também há muitos parceiros empenhados nessa missão. Força e sabedoria à SAC!

Cinemateca Viva!