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Enchentes em tempos de Mudanças Climáticas

Cerca de 60 pessoas compareceram ao encontro "Diálogo sobre enchentes em Moema", organizado pelo Conselho Participativo Municipal (CPM) da Vila Mariana. A ideia foi estabelecer um diálogo entre moradores e técnicos, sobre as obras planejadas para sanar o problema das enchentes e as possíveis soluções sustentáveis e eficientes de drenagem para a região. A AVM compareceu, porque além de serem bairros vizinhos e participantes do mesmo CPM, Moema e Vila Mariana possuem problemas semelhantes, como alto adensamento urbano e drenagem deficiente.

Abertura do encontro

O primeiro a falar foi o engenheiro Pedro Luiz Algodoal, de SIURB (Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras). Ele explicou que desde 2011 existe o projeto de um reservatório (piscinão) para a esquina das ruas Ibijau e Gaivota, exatamente onde há 8 meses morreu a senhora Nayde Capelano, em enchente no local. Em face da tragédia, foi pensado um piscinão emergencial mais rápido, sob a praça João Alves Meira, nessa esquina. Porém, por ser de menor capacidade, decidiu-se implantar o reservatório acima citado, de maior capacidade, que contudo envolveria a demolição de casas. Segundo Algodoal, as críticas recebidas ao projeto fizeram a prefeitura suspender a proposta. Também foi colocado que a viela sanitária após esse ponto está muito obstruída, e que a derrubada da alvenaria que impede a passagem das águas só transferiria a enchente para a rua Canário, onde outras obstruções e construções também bloqueiam as águas. A solução apresentada ao final da fala foi buscar um desvio das águas por tubulações nas ruas laterais, como a rua Rouxinol, e um piscinão junto à av. Hélio Pelegrino.

Moradores presentes no encontro

Em seguida, falou a engenheira Adriana Kakihara, da subprefeitura Vila Mariana, e não deixou de ser surpreendente a mesma apresentar um projeto que considera desobstruir todo corredor da viela sanitária, por diversos quarteirões a jusante, e transformá-lo em um longo corredor-reservatório utilizando técnicas variadas em sua extensão, com intervenções nas garagens de edifícios na região das ruas Canário e Inhambu. Um conjunto de alternativas como galerias-reservatório, praças elevadas e jardins de chuva implantados poderiam reservar 118 mil m3 de água, minimizando o impacto das águas. Um projeto sonhador, se comparado com o “pé-no-chão” das propostas apresentadas pelo técnico de SIURB.

Engenheira Adriana Kakihara, da subprefeitura Vila Mariana

Os estudiosos Renato Anelli e Ivan Maglio apontaram as dificuldades de se enfrentar a questão da drenagem em uma cidade como São Paulo, já drasticamente edificada, e com uma infraestrutura de drenagem feita há mais de 50 anos. Maglio apontou para a necessidade imperiosa de se buscar soluções baseadas na natureza, para tornar o bairro como um todo mais resiliente às águas que serão cada vez mais fortes, devido às mudanças climáticas. Ele também apontou a janela de oportunidade para se inserir, na revisão da Lei de Zoneamento em curso, medidas para se mitigar localmente esses problemas.


Ao final foi aberto espaço para perguntas. Houve o comparecimento de vários síndicos e representantes de prédios. Indagados sobre os prazos para execução de obras, os representantes do poder público disseram que não há soluções de curto prazo, além das sinalizações e sensores de alarme já colocados nas áreas de maior risco à vida. O engenheiro de SIURB estimou em 3 anos para a concretização do piscinão na esquina da Ibijaú com Gaivota, desde que o processo fosse retomado pela prefeitura. Já para o corredor-reservatório, a engenheira da subprefeitura disse que todas as análises são muito recentes, e ainda teria de superar as dificuldades legais e jurídicas envolvendo as intervenções em obstáculos físicos (construções) ao longo do traçado.

Público faz perguntas


Diretoria da AVM com professor Maglio

O resultado é a percepção de sempre: só com o insistente acompanhamento e pressão da sociedade civil, seja por seus conselheiros, seja pelos cidadãos, é que se conseguirá vencer a inércia do poder público, e que projetos saiam dos papéis e venham para a realidade, para trazer alguma tranqüilidade aos moradores. Por isso merece elogios esse encontro promovido pelo CPM Vila Mariana, coordenado pelos conselheiros Durval Tabach e Fernanda Dennis.


(Postado em 10/10/23)

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